NO MUNDO DA LUA

Entrevista à Revista Panvel

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Fique atento: filhos muito distraídos ou excessivamente agitados podem estar sofrendo do que especialistas chamam de TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

Ele é o quietinho da turma. Sempre esquece onde guarda as coisas e não conseguem se concentrar numa atividade por muito tempo. Ela é um a pilha. Não para quieta. Mesma sentada, mexe pés e mãos. Em sala de aula, levando, pula, sai correndo. Parece familiar? Se a resposta for sim, pode estar na hora de levar seu filho ao médico. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é sério, mas tem tratamento.
O psiquiatra Abelardo Ciulla diz que, para diagnosticar o problema corretamente, os sintomas devem estar presentes por mais de seis meses e em dois ambientes sociais, pelo menos, como em casa e na escola. "O problema pode estar mais evidente no déficit de atenção e não na hiperatividade. Ou mais hiperatividade e impulsividade e menos déficit de atenção." Para saber como identificar, o especialista conta que a queda do rendimento escolar é um dos indícios do déficit de atenção. "O TDAH vai ficar bem claro por volta dos 6 ou 7 anos, no período escolar", diz. "Ali, a criança se coloca em um ambiente estruturado, e há a possibilidade de compará-la com as outras crianças da sala de aula", complementa o também psiquiatra Leandro Ciulla, filho de Abelardo. De acordo com os médicos, deve-se considerar o próprio período evolutivo da criança, assim como o temperamento, já que, devido à idade, o desenvolvimento cerebral pode dar saltos, e nem toda alteração significa a patologia.

POR QUE ACONTECE
O TDAH está relacionado com disfunções de neurotransmissores cerebrais e é influenciado por aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Quando um dos pais já foi diagnosticado com problema, a probabilidade de transmissão aos filhos é maior. O mesmo vale para os pais que apresentam algum transtorno sociopático ou alcoolismo. Leandro explica que outra causa comum é a ruptura com a família ou problema com os pais. Segundo ele, crianças que vivem em famílias caóticas ou instituições tem mais chances de ter TDAH, pelo sentimento de abandono e insegurança. "Um clima mais organizado e estruturado na família é um fator protetor para a criança", diz.

Tratamento
Segundo estudos, de 3% a 7% da população apresenta TDAH. Para o tratamento, o uso de medicamentos é fundamental e apresenta uma evolução uma evolução significativa em 75% dos casos. Entre 15% e 20% dos pacientes permanecem com os sintomas na idade adulta quando não tratados anteriormente. Além da medicação, é importante associar ao tratamento a psicoterapia e psicoeducação familiar, que busca orientar os pais para ajudar nas dificuldades do filho. "A criança também precisa entender o que está se passando com ela para melhor resolver seus problemas", conclui Abelardo.

 

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